Desafios e Cuidados no Processo de Internacionalização

Quais os desafios e cuidados no processo de internacionalização que as empresas devem observar? Com a globalização de mercados cada vez mais presente, surge a possibilidade de empresas nacionais passarem a atuar fora de seu país de origem, aumentando sua base de mercado, de competição e, também, de clientes.

Essa passagem do mercado nacional para o exterior denomina-se internacionalização, definida como um fenômeno relacionado a atores sociais que participam, de uma forma ou de outra, do processo de globalização. (SCHERER et al, 2018).

É evidente que a internacionalização de uma empresa pode lhe trazer vantagens, sendo a principal, a extensão do número de seus potenciais clientes, o que pode significar o aumento do lucro empresarial.

Esse processo tende a ser mais simples para empresas maiores que têm condições financeiras de arcar, sozinhas, com os custos de levar seus produtos e/ou serviços para o exterior. Ademais, no caso de fracasso da internacionalização, há uma maior chance de recuperação econômica e reputacional. Não obstante, para empresas menores, a situação é diferente.

Barreiras que devem ser consideradas para a internacionalização

Muitas vezes, tais empresas dependem de capital externo para se internacionalizarem, o que aumenta o risco de sobrevivência de empresa, uma vez que elas ficam expostas à passivos de estrangeiros e ao controle de pessoas estranhas a empresas.

Mais do que isso, é importante levar em conta que nem sempre será possível aplicar no exterior o mesmo modelo de negócio utilizado no mercado nacional. Ao contrário, a internacionalização deve vir acompanhada de mudanças que levem em consideração três mecanismos importantes: como se dará a criação de valor no mercado estrangeiro, como tal valor será capturado pela empresa e, por fim, como ele deverá ser entregue ao consumidor. (CAVALLO, GHEZZI; GUZMÁN, 2019).

Ademais, a empresa deverá criar um ambiente estruturado no novo mercado de atuação, garantido segurança aos investidores e gestores. Isso pode ser feito por meio da escolha de parceiros comerciais chave para assegurar o acesso aos melhores canais de distribuição, e por meio do estudo sobre o mercado estrangeiro, a fim de garantir o uso de medidas organizacionais e tecnológicas necessárias para capacitar a empresa a atuar fora de seu país de origem.

Outras barreiras que devem ser consideradas no processo de internacionalização são a correta definição da localidade específica em que empresa irá atura, o processo de estreitamento de relações empresa-clientes para garantir a venda de produtos ou serviços e, por fim, barreiras linguísticas e culturais, que podem levar à dificuldade de administração da empresa e de gestão da comunicação com o consumidor.

Não obstante as dificuldades, a internacionalização pode alcançar o sucesso quando a empresa toma os devidos cuidados para entender o mercado estrangeiro e está disposta a investir nas mudanças organizacionais, tecnológicas e estruturais necessárias para atuar no mercado internacional.

Mudanças necessárias para a internacionalização.

Para atuar o mercado internacional, é necessário, primeiro, que a empresa adote determinados procedimentos.

Nesse sentido, Axelsson e Easton (1992, apud Melsonh 2006) apontam 3 estágios pelos quais uma pequena empresa deve passar para ser internacionalizada. O primeiro, é dar a devida atenção ao próprio mercado doméstico, mas já visando o mercado exterior. O segundo, é envolvimento participativo e efetivo no primeiro mercado externo em que a empresa irá atuar, a fim de entender como ele funciona e possibilitar o foco na expansão de mercados adicionais. Por fim, é necessário envolver outros atores chave quando surgir a possibilidade de atingir diversos mercados, garantido à empresa o conhecimento e o acesso a recursos importantes no exterior.

Dessa sorte, os riscos da operação são dirimidos e a chance de sucesso da empresa é maior. Consequentemente, a possibilidade de lucro aumenta, bem como a reputação da empresa em diferentes mercados.

BIBLIOGRAFIA

CAVALLO, A.; GHEZZI, A; GUZMÁN, B. V. R. Driving Internationalization through business model innovation: evidences from an Agtech company. Emerald Insight. Reino Unido, v. 27, n. 3, nov.2019.

 

MELSONH, M. C. M. O processo de internacionalização de pequenas e médias empresas brasileiras. 122 f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Setor de Ciências Sociais, Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 2006. Disponível em: <https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/ 10438/2243/145223.pdf> Acesso em 26.jan.2020.

 

SCHERER et al. To internationalize or not to internationalize: a descriptive study of a Brazilian startup. Technology Innovation Management Review. Canadá, v. 8, n. 3, mar.2018.

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