TERRITÓRIO E REDES DE INOVAÇÃO

Antes de adentrarmos em Redes de inovação, é importante conhecermos o conceito de território. Esse conceito, é, muitas vezes, ligado à ideia de Estado Nação ou de Estado Poder. Contudo, além do aspecto espacial, o território tem um caráter social, político e cultural delimitado não por fronteiras, mas sim pelas relações de poder que nele se estabelecem entre diferentes atores, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas.

Essas relações de poder se constituem a partir de redes imateriais, em que cada ator é um nó ligado a outro por meio de conexões econômicas, sociais ou culturais. Essas conexões podem ser redesenhadas ao longo do tempo dentro do território físico, ainda que este permaneça o mesmo.

Todavia, é importante mencionar que, além das redes imateriais, o território possui redes materiais. Redes essas que compõe a infraestrutura de transporte e comunicação, a fim de conectar diferentes nós físicos, como ferrovias e cabos de telefonia. Essas redes surgem, muitas vezes, como respostas tecnológicas às demandas econômicas e sociais das pessoas que habitam no território, a fim de facilitar o contato e aproximação entre elas.

Hoje, com o surgimento de tecnologias mais complexas e mercados mais globalizados, a possibilidade de expansão das redes imateriais entre atores espacialmente longe, aumenta. Do mesmo modo, aumenta a necessidade de produtos e serviços que facilitem a conexão entre eles, fazendo surgir as chamadas redes de inovação. Tais redes são um conjunto de atores ligados por um projeto de inovação que permite o aumento do seu mercado de atuação. Além disso, permite o crescimento econômico mútuo e, consequentemente, o desenvolvimento do território no qual eles atuam.

 

PROXIMIDADE ENTRE OS ATORES

A ligação entre diferentes atores permite a inovação porque facilita o compartilhamento de conhecimentos e recursos. Contudo, para que ela se concretize é importante existir algum tipo de proximidade entre os atores. Cumpre ressaltar que essa proximidade não precisa ser física ou geográfica, podendo ser, também, cognitiva, organizacional, social ou institucional.

Todavia, mesmo nos casos em que há outros tipos de proximidade, a geográfica ainda atua positivamente na formação de redes inovativas. Isso porque, ela facilita a formação de relações de confiança entre atores, pois a chance de que eles se conheçam, ou conheçam alguém em comum é maior. A confiança, auxilia enormemente na inovação. Ela facilita a comunicação, diminui o entrave de negociações e o risco de comportamentos oportunistas. Ademais, facilita a coordenação de projetos inovativos.

Mais do que isso, a concentração de atores no mesmo local torna mais fácil a troca de conhecimentos explícitos – codificados de alguma forma – e, principalmente, tácitos. Estes, ao contrário daqueles, são mais difíceis de serem repassados a atores espacialmente distantes. Isso porque, são formados por habilidades, competências e talentos que podem ser fatores-chaves para o processo inovativo. Exemplo disso, é o know-how, o qual é  mais facilmente aprendido quando aquele que detém o know-how pode estar presente fisicamente na sede de quem irá receber esse conhecimento

Em vista disso, é possível afirmar que a proximidade geográfica influencia diretamente o desenvolvimento inovativo e econômico dessa rede de atores. Por seu turno, o desenvolvimento da rede impacta o desenvolvimento e o crescimento econômico da região em que ela se encontra. Isso ocorre, porque outros empreendimentos ao redor da rede começam a coordenar suas atividades para garantir que as demandas da rede sejam atendidas. Tais demandas podem estar relacionadas à necessidade de formação de mão-de-obra qualificada, de criação de centros de pesquisa e tecnologia, de recursos físicos, de implantação de instalações, de produção de inovações complementares, entre outros.

 

REDES DE INOVAÇÃO NO ESTADO DO PARANÁ

Analisando-se o caso do Estado do Paraná a partir do exposto, percebe-se a existência de diversos atores da inovação. Entre eles inclui-se empresas privadas, universidades, centros de pesquisa, ecossistemas de inovação municipais e parques tecnológicos. Contudo, apesar de muitas vezes haver contato entre eles, não parece haver uma efetiva conexão relacionada à junção de esforços mútuos para o estabelecimento de uma rede de inovação estadual forte e direcionada a objetivos em comum.

Dessa sorte, há espaço para o fortalecimento dessa rede. Isso significaria uma maior troca de conhecimentos tácitos e de criação de relações de confiança. Como consequência, haveria a promoção de inovação, o desenvolvimento de outros empreendimentos ao redor da rede e, assim, o crescimento econômico regional, com a geração de empregos e de riquezas e o desenvolvimento do Estado com um todo.

Frise-se, ainda, que dependendo do nível a que esse desenvolvimento chegue, a rede regional formada no Paraná pode se conectar à rede global de inovação. Assim,  seria possibilitada a troca de conhecimentos e recursos com atores internacionais mais desenvolvidos que afetam de modo benéfico a região.

 

CONCLUSÃO

A possibilidade de conexões regionais para a inovação no Estado do Paraná existe, haja vista os diversos atores envolvidos em atividades e processos inovativos. Contudo, é necessário um esforço mútuo desses atores, além da aplicação de políticas públicas que facilitem os laços entre eles, para que o Paraná possa alcançar níveis de desenvolvimento ainda maiores.

 

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